O Colar de IA "Friend" Ganhou Voz e um Preço Bem Menos Amigável
- Felipe Coimbra
- há 13 horas
- 4 min de leitura
Dois anos depois de prometer combater a solidão, o "Friend" voltou com voz própria, comercial novo e um preço bem mais salgado. Só que o que ele quer ser exatamente já tá gerando mais dúvida do que resposta.
E aí, pessoal! Bora falar de uma novidade tech que, cara, me deixou com um pé atrás desde o primeiro parágrafo. Se liga: o Friend, aquele wearable de inteligência artificial que promete ser seu "amigo digital", acabou de ganhar uma atualização e tanto.
Relembrando rapidinho o que é esse bichinho
Dois anos atrás, o fundador tech Avi Schiffmann lançou esse colar chamado Friend: um pingente que você usa no pescoço, conversa com ele, e ele te manda mensagens de texto comentando sobre o seu dia. A proposta, pelo menos no papel, era usar IA pra combater a solidão. Bonitinho, né?

A Novidade: Agora ele Fala
Essa semana a empresa anunciou o Friend 2.0, e a grande virada é que agora o dispositivo vem com alto-falante embutido, projetando uma personalidade única e consistente enquanto conversa com você. Ou seja, saiu do texto e virou voz de verdade.
E o comercial de lançamento é, no mínimo, curioso. Numa cena, uma mulher usando o Friend conversa com o colar sobre o que parece ser sua ex-namorada, e o pingente responde algo tipo "não tem nada de errado em ser gay". Em outra cena, um cara comenta sobre as ambições dele como cineasta, e o colar solta um elogio: "aquele último filme que você fez foi incrível!"
Só que cara, o preço não ficou nada amigável
E aqui que a coisa aperta o bolso: o Friend original, lá em 2024, já custava 99 dólares (R$ 504,44), e sinceramente, pra realidade do câmbio brasileiro, isso já doía bastante. Agora o Friend 2.0 chega custando 249 dólares (R$ 1.268,75). Presta atenção nesse salto, quase 2,5x o preço original.
Ou seja, se antes já era complicado bancar um amigo de plástico por aqui, agora acho que vamos precisar literalmente vender um amigo de carne e osso pra conseguir comprar esse aí. Ironia cruel, mas é a realidade.
Mas afinal, o que é esse produto de verdade?
Aqui que fica interessante, e olha, é a parte que mais me deixou pensativo. Quando perguntaram pro próprio Schiffmann o que exatamente é o Friend, a resposta dele foi bem vaga: ele disse que tá interessado nesse tipo de relação buscando oferecer uma espécie de confidente, amigo, ou até "algo parecido com um Deus", nas palavras dele mesmo. Só deixou bem claro uma coisa: não é um assistente, e não é um parceiro romântico.

Beleza, mas presta atenção nesse detalhe
E é exatamente aqui que quero parar e pensar com vocês, porque analisando bem a proposta do produto, acho que tem um ponto que merece reflexão séria.
Repara na diferença de tom entre as duas versões: a primeira era vendida como "um amigo pra você desabafar sobre o seu dia". Já essa segunda versão, com a voz sempre confortando, sempre concordando, sempre validando o que você diz, sinceramente soa muito mais como uma espécie de psicólogo particular ou confidente incondicional do que um amigo de verdade.
E cara, isso é estranho quando você para pra pensar. Amizade de verdade não é só sobre conforto, é também sobre alguém que te desafia, discorda de você às vezes, te dá um toque quando você tá fazendo besteira. Um "amigo" que só valida tudo que você faz, seja bom ou ruim, não é bem um amigo, é mais um espelho que só devolve elogio. Estar numa zona de conforto é bom, ser confortado também é importante, mas qual o sentido de uma amizade que nunca te contraria?

Então sim, acho que faz total sentido levantar essa dúvida: será que esse tipo de produto não tá, na prática, incentivando as pessoas a substituírem conexões humanas reais — que têm atrito, opinião divergente, contradição — por "alguém" artificial que só reforça o que você já pensa? Isso parece mais isolamento disfarçado de companhia do que solução real pra solidão.
Cyberpunk ou Black Mirror?
E não dá pra não fazer essa piada: esse tipo de produto tá deixando o mundo com uma cara cada vez mais cyberpunk, aquele futuro de tecnologia embutida no corpo, sempre conectado, sempre ouvindo. Só que cara, dependendo de como isso evolui, a gente corre o risco de sair do cyberpunk bacana dos filmes e cair direto num episódio de Black Mirror, daqueles que terminam com todo mundo isolado, cada um conversando só com o próprio pingente particular.

Vale lembrar também que a empresa já usou marketing ousado antes: a campanha de outdoors do Friend no metrô de Nova York viralizou ano passado justamente por ser constantemente vandalizada, presumivelmente por gente incomodada com a ideia de trocar conexão humana por um amuleto digitalizado.
E não é um problema exclusivo do Friend, viga: a maioria dos wearables de IA ainda não emplacou de verdade com o público geral. O produto mais parecido, o AI Pin da Humane Inc., teve que encerrar as operações em menos de um ano por causa das vendas fracas.
E aí, o que vocês acham? Vocês pagariam por um "amigo" que nunca te contraria, ou concordam que isso é mais estranho do que parece à primeira vista? Comenta aqui embaixo! 👇















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